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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Que é, pois, a suscetibilidade?




 

 

Que é, pois, a suscetibilidade? 

 

Torna-se difícil definir o silfo ligeiro, calcular a direção dos ventos do mar, os caprichos da imaginação e os sonhos de uma pessoa que tem febre; mas mais difícil ainda definir a suscetibilidade e calcular-lhe as numerosas metamorfoses. Suscetibilidade vem duma palavra latina que significa facilidade em receber as impressões. 

 

Tendes notado alguns doentes atacados de reumatismo? Pois esses receiam as menores correntes de ar, e, para eles tudo o é; a menor frescura, o menor ruído fere-os e faz-lhes mal. A suscetibilidade é uma espécie de reumatismo na ordem moral: tudo fatiga os doentes desta natureza, tudo os achaca, tudo se transforma numa corrente de ar que lhes produz febre. Se se vai para a direita, magoam-se; se se vai para a esquerda contrariam-se  horrivelmente.  Os  menores  atos,  as  palavras  mais inofensivas,  tomam  para  eles proporções espantosas. Se conversais inocentemente,é contra eles; se guardais silêncio, é porque estais sombrio e triste ao seu lado; se sorris, tendes o ar zombador; se estais grave, é porque não estais bem. 



Quando o vosso espírito, ou naturalmente distraído, ou demasiadamente culpado, parece, numa circunstância  indiferentíssima ou sem nenhum cálculo,  conservar  certa  reserva  silenciosa,  o  doente  achará  que  o  esqueceis completamente,  e  que  pondes  de  lado  os  deveres  mais sagrados  da  afeição:  debalde permanece no fundo da vossa alma, a mais verdadeira e sincera dedicação de que, mil  vezes, lhe tendes dado provas; nada poderá, talvez,curar a sua injusta prevenção esse cérebro fatigado. Que direi eu? É tão impossível contentar as pessoas assim como saber a  direção  do  vento  nos  equinócios;  é  necessário  que a  melhor  vontade  do  mundo  se resigne a sofrer as abordagens do seu humor e do seu descontentamento.  

A  suscetibilidade  indica  uma  grande  fraqueza  de  espírito  e  de  caráter,  ou  uma formidável dose de amor próprio e, algumas vezes até, estes dois defeitos reunidos. As almas  fortes  não  são  susceptíveis;  têm  tempero  vigoroso,  e  não  se  deixam  ferir  nem atingir pelos mil nadas, pelos mil graus de pó que  formam, por assim dizer, o fundo da vida  humana.  

A  alma  susceptível  é  sempre  desgraçada,  impressionável  como  a sensitiva, e sempre agitada ao sopro do vento; e apesar de todas as precauções possíveis, a vida é de tal modo feita assim, que, sobre a terra haverá sempre, pelo menos, pequenas correntes  de  ar  na  atmosfera  das  almas,  e,  muitas  vezes,  abalos  para  agitarem  esses caracteres  vacilantes, que não têm  mais consistência  do  que  as folhas da floresta.  Ás almas que tão facilmente são afetadas pelas menores coisas, poderia eu dirigir uma frase de  São  Crisóstomo  e  dizer-lhes:  Não  é  a  natureza  das  coisas,  é  a  fraqueza  de  vossa alma que vos ocasiona tal pesar: -  Non rerum natura, sed animi imbecillitas hanc tibi maestitiam affert.” (Epist. aos Cor.).



***

Excerto das conferências feitas às senhoras da Associação de Caridade, por MONSENHOR LANDRIOT, ARCEBISPO DE REIMS - "A MULHER FORTE"




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