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domingo, 26 de junho de 2016

A EDUCAÇÃO DA GRATIDÃO - PARTE 1






A EDUCAÇÃO DA GRATIDÃO



(Excertos do livro: “Donzela cristã”,
de Pe. Matias de Bremscheid)


PARTE 1




1º - O sentimento de gratidão é de todo conforme a nossa natureza.


Diz o grande teólogo, Santo Tomás de Aquino: "Todo efeito segue a natureza da causa que o produz, e de maneira proporcionada à mesma coisa". Ora, o benfeitor é causa do benefício que produz. Portanto, deve o beneficiado voltar ao benfeitor, e voltar com a inteligência que reconhece e com a vontade que avalia o beneficio.

Exprimir por meio da inteligência e da vontade o próprio reconhecimento, é praticar um ato adequado à natureza humana. Corresponde a gratidão não somente à natureza humana, senão também às criaturas irracionais, ao mundo animal.

É o que indica a comovente queixa de Deus, no profeta Isaías: "Ouvi, céus, e tu, ó terra, escuta, porque o Senhor é quem falou: Criei filhos e engrandeci-os, porém, eles me desprezaram. Conhece o boi o seu possuidor e o jumento o presépio do seu dono; mas Israel não me conheceu, e o meu povo não teve inteligência!" (Is. 1,2-3).

Até os próprios animais não são indiferentes à gratidão. Certa vez, em Roma um escravo desertor, chamado Androcio, fora lançado no anfiteatro a um leão, e a fera se pôs a acariciar o escravo.

Maravilharam-se os espectadores.

A admiração, porém, chegou ao auge quando souberam que o escravo, por espaço de três anos, tinha permanecido no deserto da África e lá havia curado a pata deste mesmo leão. Foi o escravo imediatamente indultado.

Ora, se os irracionais, como o leão feroz, se mostram assim agradecidos, não será profundamente vergonhoso para o homem, criado à imagem e semelhança de Deus, não testemunhar nenhum amor e gratidão a seu benfeitor?



2º- A gratidão é sinal de um coração nobre.

Quem não conhece a gratidão, manifesta-se intimamente estólido acerca do bem que lhe fazem; não possui nenhum sentimento nobre e delicado.

O egoísmo faz que se desenvolva cada vez mais no seu interior a grosseria; torna-se vulgar e mesquinho.

Coisa muito diferente sucede ao homem agradecido. Possui um coração nobre. De sentimentos delicados, mostra-se reconhecido a cada benefício que recebe, a cada favor que lhe fazem. É para ele um prazer e uma necessidade declarar-se, novamente grato, em qualquer ocasião, quando não com dádivas e presentes, ao menos com sinceridade e alegria.

Daí provém a suposição de que o homem agradecido é quase sempre um homem contente e satisfeito.

Ocorre-lhe amiúde, a grata lembrança desta ou daquela atenção e amabilidade, que lhe demonstraram, embora pequena e insignificante.

Sim, a gratidão não olvida os pequenos benefícios, nem os mais ínfimos. Não é isto, prova de um coração bom e nobre? Assim disposto, não se desenvolvem nele a maravilhosa ação de graça? Ao passo que a ingratidão convoca, por assim dizer, ao redor de si todos os maus espíritos e lhes franqueia a porta do coração.

Visto ser a gratidão própria de um coração nobre, os santos foram também os homens mais agradecidos. Como se distinguir nesta virtude o grande Rei Davi! Após a morte de Jônatas, de quem recebera tantos benefícios, mandou que trouxessem à sua presença o filho dele, que era coxo, e lhe restituiu todos os campos de Saul (II Reis, 9).

Quando Davi se empenhou em guerra contra seu filho ingrato, faltaram-lhe todos os meios de subsistência. Um velho rico trouxe-lhe então o necessário. Para recompensá-lo quis Davi, conduzi-lo à Jerusalém no seu palácio real, para que ele transcorresse ali a velhice. Como o velho recusasse, em virtude da sua avançada idade, tomou-lhe Davi consigo o filho e cumulou-o de todos os benefícios. Ainda, antes de morrer, pediu a Salomão que não esquecesse o filho daquele velho e que fizesse comer à mesa.



Continua...



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