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terça-feira, 1 de julho de 2014

MULHER FORTE E AS DESPESAS

"Analisou um campo e comprou-o; e plantou a vinha com o fruto do seu trabalho"



Consideravit agrum, et emit eum:
de fructu manuum suarum plantavit vineam.

Analisou um campo e comprou-o;
e plantou a vinha com o fruto do seu trabalho.
(Prov. XXXI, 16)


“A mulher forte madruga, e distribui o alimento e o trabalho aos seus domésticos”. 


MULHER FORTE E AS DESPESAS



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A vigilância dos criados é uma das suas principais ocupações, e para que tal vigilância seja séria a ativa, entrega-se a ela logo pela manhã; é a primeira, ou, pelo menos, uma das primeiras a levantar-se em casa, porque o seu exemplo é a melhor das predicas e o mais eficaz conselheiro.

Semelhante ao sol, ela anuncia o recomeço do trabalho no interior da sua casa, ilumina tudo com a sua presença, aquece os caracteres mais indiferentes, excita as naturezas mais apáticas, e nada pode subtrair-se a sua salutar influência: Nec est qui se abscondat a calore ejus. (Ps., XVIII,7)

Esta vigilância aos criados deve ser cheia de razão, de sabedoria e verdadeira afeição, pois a mulher forte deve lembrar-se que os seus domésticos pertencem a natureza humana, que são nossos irmãos em Jesus Cristo, e que têm direito a ser tratados com o respeito que reclama a sua qualidade de homens e de cristãos.

Ela faz de toda a sua casa uma verdadeira família, cujos membros estão situados em diversos graus da escala, mas onde todos participam da vida comum. Cada um tem o seu lugar, e é esta variedade na hierarquia, que produz a ordem e a beleza.


Mas do mesmo modo que em um jardim todas as plantas, respirando o mesmo sol e o mesmo ar, tem, todavia uma parte diferente nos benefícios da natureza, assim no jardim da família, cada um tem o seu quinhão, maior ou menor, de orvalho e de calor: primeiramente as árvores vetustas, depois os arbustos, e em seguida as florinhas que crescem a seus pés.

Dando depois um outro sentido as palavras do nosso texto, dissemos, seguindo um pensamento familiar dos Santos Padres, que a alma, com a inteligência, o coração, a imaginação, os sentidos e os nervos, representavam o completo interior de uma casa, aonde cada faculdade exercia o papel de pai, de mãe, de filhos, de domésticos e porteiros, e que não era pequena a dificuldade de saber conservar em paz todos estes numerosos membros da mesma família, que se chama o eu humano.

Expliquemos hoje este versículo: Analisou um campo e comprou-o, e plantou a vinha com o fruto do seu trabalho.

A Bíblia mostrou-se primeiramente a mulher forte exercendo a sua atividade no interior do lar. Ela faz a alegria e a consolação de seu marido; para ele, o coração dela é uma fonte de perenes bens e um tesouro de paz e confiança. Prepara a lã e o linho; fiscaliza os serviços que se executam em casa; madruga, porque, ainda a natureza dorme e ela já distribuiu o trabalho e o alimentou aos seus domésticos.

O Espírito Santo vai, contudo, descrever a atividade da mulher forte nas suas relações com o exterior: -Analisou um campo e comprou-o; e plantou a vinha com o fruto do seu trabalho.

O trigo e o vinho são os dois grandes recursos da vida humana: entre os produtos da terra, nenhuma, cujo uso seja tão universal e tão indispensável, e a Sagrada Escritura os emprega de preferência para designar todas as riquezas agrícolas. Aqui a mulher deve subordinar as suas vontades ás de seu marido: pode atuar por insinuações, conselhos e súplicas, mas as últimas decisões devem partir do chefe da casa. Assim suporemos sempre, no que temos a dizer, que ela vai de harmonia com seu marido, e que tudo se decidiu em comum acordo.

Ela analisou um campo. – Com efeito, deve ter os olhos abertos sobre tudo quanto respeita á prosperidade de sua casa. Analisou, consideravit.

Realmente nada deve fazer de leve, mas analisar tudo com seriedade, pois há propriedades cuja aquisição é onerosa, e outras que são um atrativo e uma riqueza. Nada deve comprar, não tendo com que pagar; pois não é um dos grandes cancros da nossa época o gastar mais do que se há em rendimentos? Mal aparece um canto de terra á venda lança-se-lhe logo um olhar cobiçoso; a bolsa está vazia, não importa; compra-se, o futuro pagará.

Esta ambição que se encontra em pequenas e grandes doses, segundo as posições, é, na atualidade, uma das principais causas de sofrimento. Nos negócios, no comércio, na agricultura, fazem-se, muitas vezes, despesas e especulações completamente incalculáveis, e por isso mesmo a riqueza de muitos é artificial, e uma como que brilhante frontaria a esconder ruínas; e para uma grande parte de proprietários e negociantes, a vida é passada no meio de torturas análogas ás de um desgraçado, que fosse condenado a encerrar todos os membros num vestido estreitíssimo.

Este vestido é a imagem destas fortunas relativamente medíocres, onde, todavia, se agitam, em todo o sentido, desejos imoderados. Tudo é falso em situações destas; tudo assenta no vácuo e na mentira; tudo prepara uma ruína desastrosa.

Que a mulher forte ponha, pois, os seus olhos neste perigo; que desconfie de tudo quanto brilha muito e muito promete; que ela compre campos e plante vinhas, mas depois de bem ter analisado todas as coisas, depois de ter considerado o estado das propriedades, e, sobretudo, o estado da sua bolsa: Consideravit agrum et emit eum.

Quanto não é melhor para a felicidade e para a paz das famílias, o ter uma fortuna medíocre com o contentamento do coração, e a segurança do futuro! A felicidade não está nas coisas exteriores; é antes a maneira por que sabemos gozá-la, o que nos torna mais ou menos felizes. Tal indivíduo tem mais ventura com o seu pão de cada dia do que o rico, cuja vida é uma ansiedade contínua, e uma febre que o não deixa, nem mesmo durante o seu sono agitado.

O texto da Escritura que acabamos de comentar mostra-nos que os pais e a mães de família podem e devem ocupar-se de um sábio melhoramento na sua fortuna, e cuidarem do futuro de seus filhos; é uma séria obrigação que lhes impõem a religião, o bom senso e o amor paternal.

Devem por meios honestos e lícitos, por uma sábia providência trabalhar todos os dias em fazer economias, em aumentar o seu patrimônio, em preparar uma posição conveniente para a sua família. Obrar de outro modo seria esquecer leis sacratíssimas, e imitar o procedimento dos pais desnaturados, que só têm como regra o egoísmo e a prodigalidade: tudo lhes vai bem, com tanto que gozem em plena liberdade, e que nada lhes cause uma pequenina preocupação.

A religião não se contenta com sancionar os preceitos da ordem natural: dá, sobretudo, regras para se observarem com sabedoria e conveniência. Ela ordena ao pai e a mãe a vigilância sobre o melhoramento da sua fortuna, com a condição, todavia, de que os pobres não serão esquecidos; e o que se arranca a uma sórdida economia para se derramar no seio dos pobres, produz, muitas vezes, em felicidade e em bênçãos, mesmo temporais, o que nunca produzirão cálculos habilíssimos.

A religião permite o aumento do capital e das rendas, mas sob a condição de que jamais se faltará as leis da honra e da probidade, de que não se imaginarão fraudes perfeitamente coloridas, sutilezas humanas que merecem um nome que não ouso pronunciar aqui, precauções engenhosamente pérfidas, que se tornam para o pobre próximo, como laços ocultos entre o mato, para o inocente animal do prado. Não; a religião reprovará sempre as fortunas adquiridas deste mundo.

São marcadas com o selo da injustiça e da iniquidade; têm nos flancos o cunho indelével de uma espécie de pecado original, e demasiadas vezes a desgraça de certas famílias, as suas rivalidades, as disputas, não têm outra causa na ordem providencial. Houve uma semente má no princípio, que produziu um joio oculto, que envenenará sempre o campo da família.

Eu gosto muito dos provérbios, porque são ordinariamente os resultados de uma longa e profunda experiência, e uma como moeda da sabedoria das nações; e neste momento lembra-me um que tem aplicação ao meu assunto: - “O bem mal adquirido nunca aproveita”.

Nunca aproveita apesar de tudo indicar exteriormente o contrário; nunca aproveita, porque, muitas vezes, os acontecimentos da vida, que são os mensageiros de Deus, aniquilam fortunas mal ganhas, do mesmo modo que o transeunte pode aniquilar um edifício de vidro; nunca aproveita, porque supondo mesmo uma prosperidade contínua e sempre crescente, a justiça de Deus encontra o meio de tornar desgraçados esses proprietários, entre todas as causas de gozos exteriores, e porque, por um poder de metamorfose desconhecida, tudo quanto devia ser-lhes motivo de alegria, lhes derrama ao contrário o gosto de absinto.

Há doenças em que o melhor vinho parece mais amargo que o vinagre, e, do mesmo modo há também doenças morais, desgostos inexplicáveis cuja causa é desconhecida. É a justiça de Deus que os inflige em certas posições, e então a qualidade dos objetos e a sua ação sobre a alma parecem mudar de natureza, transformando-se as rosas em espinhos e os melhores licores em bebidas cheias de amargura.

... A mulher forte plantou uma vinha com o fruto do seu trabalho. Eu não quero, ligar-vos a cauda de uma charrua nem fazer-vos cavar vinhas; mas se tendes alguma propriedade no campo, ou a possui algumas das vossas amigas, aconselho-vos a ir lá, ao menos, de quando em quando, respirar o ar fresco e puro, o qual dá saúde e sabedoria...

Sim, minhas senhoras, ide ao campo algumas vezes; se gozais a paz e a confiança da alma justa, a vista da natureza aumentará esse bem estar moral, porque a criação é um espelho que reflete uma parte das grandezas e belezas da essência divina, ao mesmo tempo que, pelo seu silêncio, é uma imagem da eterna paz de Deus.

Se não plantais a vinha, ide vê-la plantar. Examinareis como se cava o solo, como se mergulha a estaca, como se lhe deita depois a terra. Vereis como a cepa rebenta, vereis confirmado o mal que pode causar-lhe a geada ...

Sim, senhoras, ide ao campo algumas vezes; gozais a paz e a confiança da alma justa, a vista da natureza aumentará esse bem estar moral, porque a criação é um espelho que reflete uma parte das grandezas e belezas da essência divina, ao mesmo tempo que, pelo silêncio, é uma imagem da eterna paz de Deus.

Se não plantais a vinha, ide vê-la plantar. Examinareis como se cava o solo, como se mergulha a estaca, como se lhe deita depois a terra. Vereis como a cepa rebenta, vereis confirmado o mal que pode causar-lhe a geada, e a rica abundância que preparam as forças combinadas da chuva, da luz e do calor. Fareis em seguida um giro sobre vós mesmas e dir-vos-eis: 

- Minha alma é a terra do Pai celeste, e eu devo também plantar nela todos os dias uma vinha de excelente natureza, mergulhando-a sob o solo, isto é, nas regiões mais profundas do coração, cobrindo-a com as precauções da sabedoria cristã, preservando-a do frio, e tendo-a sempre exposta aos raios do sol ou á benéfica ação do orvalho do céu.

Ide também visitar os vossos campos, e quando os virdes alourar, perguntai-vos: 

- Quando é que os frutos da minha alma estarão maduros para a colheita? Ó meu Deus, fazei com que eu me converta em um puro fermento, a fim de me transformar em vós: Frumentum Christi. (Igna. Anthioc., ad Romano, c.4)

Estou a ouvir-vos dizer-me que não tendes campo, nem as vossas amigas. Tendes talvez um jardim, ou, pelo menos, um canteirinho; pois eu tenho absoluta necessidade de encontrar, na vossa vida, alguma aplicação das palavras da Escritura, que comento nesta ocasião...

Uma flor tem alguma coisa de vivo, de fresco e gracioso, que faz companhia, e nos fala uma linguagem divina. Uma flor! Uma flor é a imagem de um pensamento de Deus, como um verso é a imagem de uma ideia do poeta. Uma flor parece olhar-nos e o seu olhar é o desabrochamento da sua corola. Uma flor tem vida, e uma vida graciosamente expressa, uma vida que é símbolo da candura, da inocência e da modéstia.

Quando uma flor se agita aos primeiros raios do sol, é uma suave lição, que podemos aproveitar; ela indica-nos um outro sol, cuja luz nos aquece o coração; quando se apraz crescer entre as urzes, ensina-nos a humildade e a vida oculta; quando nos olha e parece suplicar-nos que a reguemos a fim de reparar a vida quase extinta, ensina-nos a solicitar também o verdadeiro orvalho das almas.

Enfim quando pende e morre, faz-nos sinal, e recorda-nos que a nossa vida será em breve descolorida; mostra-nos que a existência da flor e a do homem, que pareciam tão diferentes na duração, se confundem perante a eternidade, em que mil anos são como um dia.

Sim, senhoras, empenho-me para que cultives flores: a vida destas encantadoras criaturinhas acalma, adoça, harmoniza e pacifica; refresca a vista e fortifica o coração, porque tudo quanto é verdejante, fresco e cheio de vida, exerce sobre nós uma influência feliz, que faz desabrochar todas as faculdades da alma.

A mulher forte analisou o campo, e comprou-o, e plantou a vinha com o fruto do seu trabalho.

Poderia dizer-se ainda que, sob o nome de pão e vinho, a Bíblia quis designar todas as boas coisas da ordem temporal. A mulher forte deve vigiar tudo; tudo quanto pode ser útil a seu marido, aos seus filhos, aos seus criados, ela deve procurá-lo, seguindo as regras da probidade, da sabedoria, da honra e da moderação, de que temos falado.

A mulher tem, muitas mais vezes que o homem, a inteligência das pequenas coisas, tem o olfato mais exercitado por uma multidão de coisas que nos escapam: a ela, pois, pertence prever, pressentir, calcular, submeter a seu marido, e executar de harmonia com ele. Por sem dúvida que não é intenção minha excitar no coração da mãe de família uma ambição desregrada; tendo explicar-vos os vossos deveres, ou, pelo menos, o que vos é muito legitimamente permitido, e assim respondo antecipadamente aos que censuram ao cristianismo o fazer da mulher casada uma espécie de religiosa – não se ocupando senão de irmandades e de devoções.

A mulher verdadeiramente piedosa, ficando completamente fiel aos deveres de uma piedade esclarecida, nada deve desprezar do que pode interessar á prosperidade, material mesmo, de sua casa; e se ela quisesse imitar a vida da religiosa e a forma da sua piedade, “esta devoção – diz São Francisco de Sales – seria ridícula, desregrada e insuportável” (Vida devota, 4ª Parte).

Por outro lado evitemos os excessos de uma ambição desmedida, porque a ambição é uma paixão, que sai dos rails da razão e da sabedoria cristã. Eu desejava o vapor regulado, que marcha com ordem, medida e segurança: se a ausência de vapor é a inércia e a morte, o vapor que faz descarrilar é um outro inconveniente não menos grave.

Nem um nem outro devem agradar-vos, e o que eu desejo no interior das vossas famílias, é o vapor conduzido sabiamente, isto é, a ação de uma mulher previdente, sem desmedida inquietação, ocupando-se seriamente dos interesses da sua casa, com toda a honra e com toda a probidade; é uma inteligência ativa sem sair da serenidade, economia sem parcimônia, regulada sem afetação, e fazendo com conveniência as honras domésticas, sem esquecer os interesses de seus filhos e os deveres de mãe de família.

... A mulher forte deve, pois, formar no seu coração uma contínua provisão de excelentes coisas, a fim de poder, na ocasião, distribuí-las á sua família. É necessário ela saiba, nas sociedades que frequenta, recolher as boas palavras e os preciosos ensinos, mas deve considerar tudo muito bem: Consideravit agrum. Nem tudo é bom nos jardins do mundo: há muitas vezes mais plantas venenosas do que flores perfumadas e salutares. O dever da mãe da família é fazer delas uma escolha religiosa, inteligente, pondo de parte tudo quanto possa ferir a fé e alterar a pureza da alma de seus filhos: Consideravit agrum.

Antes de apresentar a sua jovem família no mundo, considera ela se o tempo é propício, se a alma não é ainda muito tenra, muito acessível a más influências; examina se as sociedades aonde quer levar seus filhos...

Há vinho que se pode beber aos quarenta anos sem nenhum perigo, mas que faria partir a cabeça aos dezoito. Explico-me assim, porque muitas vezes não se presta atenção a esta diferença de idade, de caráter, de impressionabilidade, que muda continuamente o que é relativamente bom, ou, pelo menos, indiferente, podendo torna-lo relativamente mau.

Neste caso, procurar para os filhos algum uso do mundo, e de um mundo muito precoce, é roubar-lhes o que há de mais precioso para eles, a inocência e o amor da simplicidade; é desenvolver-lhes todos os germes da má natureza, e, sobretudo, a desmedida inveja de agradarem, que podem mais tarde causar-lhes amargos pesares.

Esforço-me, senhoras, por não exagerar, nem condenar absolutamente, o que é incontestavelmente mau; quero, sim, reprovar somente os excessos, e o que a própria razão esclarecida pela fé condena. Ponhamos as nossas ideia em toda a sua luz por um exemplo que toda a gente compreenderá: nada há mais agradável, e, muitas vezes, mais útil, do que ir após os calores do estio, aspirar o ar fresco e embalsamado de uma bela noite e, todavia, a razão proíbe a um febricitante, deixar o quarto, sobretudo, á noite.

Que direis, pois de um homem, cujo temperamento fosse enfraquecido pela febre, o qual quisesse sair convosco, sob o pretexto de que o passeio não lhe seria mais nocivo do que a vós próprios? E vós não vedes que sois mais imprudentes que este enfermo: sob o pretexto de quererdes formar a alma e o exterior de vossos filhos por coisas que saberão sempre muito cedo, expondes seriamente a graves perigos um temperamento moral, que não é suficientemente formado, produzis-lhe a febre de todas as espécies de coisas mais ou menos más, e que podem mais tarde, no ato do desenvolvimento, envenenar-lhe o futuro.

Sabedoria, pois, senhoras, sabedoria na escolha de tudo quanto comunicardes á vossa casa, e, sobretudo, a vossa família. Consideravit agrum. Sabeis examinar, pesar e medir tudo.

Evitai também as conversações do lar doméstico, em que o pai e a mãe se permitem explicações mais que transparentes, ora sob o império de uma indesculpável distração, ora sob o pretexto de que os filhos não compreenderam, nem prestam nenhuma atenção ao que se diz.

Consultai as pessoas que têm educado a mocidade e elas vos dirão que crianças de quatro anos ou cinco, têm a inteligência extraordinariamente desenvolvida, sobretudo, quando se trata de compreenderem o mal; a experiência mostra, todos os dias, coisas deploráveis nesta matéria. Se contar diante de criança crônicas mais ou menos escandalosas; envolvendo a narração com véus, com metáforas e embalando-vos na doce e triste ilusão de que vossos filhos não compreenderam nada.

Mais tarde espantar-vos-eis ao saberdes tudo quanto tiver crescido em seu coração, e o primeiro gérmen desta árvore de maldição, terá sido a conservação a meia voz, permitida diante deles; o entretenimento a que assistiram na vossa presença, e na casa aonde os tendes conduzindo imprudentemente.

A palavra, a conversação, o segredo, o sorriso, abrir-lhes-ão os maus germens que se acham no coração de todos os filhos de Adão, e, sem que o penseis, tereis assim preparado um triste futuro a vossos filhos...

Dir-vos-ei ainda que vigieis os jornais, os folhetins, os romances! Não deixeis entrar em vossa casa coisa que possa conter veneno; vossos filhos estariam expostos a toma-lo no momento em que volvêsseis as costas. Arrancai os maus livros da vossa biblioteca; e se possuis alguma obra que a vossa idade ou condições especiais vos autorize a conservar, então fechai-os.

Eu conheci crianças de excelentes famílias, perdidas assim, pelos livros deixados imprudentemente nas mesas de uma livraria sempre aberta. As crianças, senhoras, têm o instinto do mal, em maior grau ainda do que a ideia do bem, e têm o olfato de certas coisas, sobretudo, quando o seu espírito foi despertado sobre tal ponto, porque então querem ir até ao fim, e Deus sabe através de que silvas e de que espinhos!

Não podereis tomar muitas precauções: nada de minúcias e de espionagem, mas uma séria atenção; e se me acusais de vãos escrúpulos, e de preocupações excessivas, serei obrigado a concluir que, não conheceis bem o coração da mocidade.

Se puserdes em prática os conselhos que acabo de dar-vos, nenhum dos interesses da vossa família será desprezado: provereis a tudo, e a vossa casa tornar-se-vos-á, e a vossos filhos, uma fonte de todos os bens. Ora, bem o sabeis quando se faz á fonte um largo canal, ela engrandece e jorra com profusão; a água brota debaixo com uma abundancia sempre nova, sobe, estende-se e converte-se em um grande rio.

Do mesmo modo se tornará a vossa casa, e eu desejo vivamente que de cada uma das vossas famílias, e de todos os seus interesses materiais e espirituais se possa dizer com os nossos Livros Santos: - A pequena fonte transformou-se em grande rio, e derramou por toda a parte as suas largas e fecundas águas: Fons parvus crevit in fluvium maximum, et in aquas plurimas redundavit (Éster, XI,10)

(Excertos da
8ª Conferência dada para as senhoras da Associação de Caridade pelo Monsenhor Landriot - Arcebispo de Reims (1877) - retirada do livro: A Mulher Forte)

Fonte: http://pelos-caminhos-de-deus.blogspot.com.br/2014/06/mulher-forte-e-as-despesas.html.


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