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quarta-feira, 10 de maio de 2017

A amizade




"A luz da Caridade opera uma separação; põe-nos diante do outro. Separa-nos para nos livrar da insuportável solidão. 

Os maus poetas que só conhecem o amor erótico, não sabem que o verdadeiro amor separa, e que separa de um modo perfeito.

 A união da amizade não é um aniquilamento de um no outro, mas o esplendor de uma separação. Os amigos não se desmancham, os santos não se dissolvem, mesmo diante de Deus, mas reúnem-se de mãos dadas e cantam o mesmo louvor, cada um com sua voz, separados e reconciliados. 

O modelo perfeito do amor é a Santíssima Trindade, onde as três pessoas se amam numa perfeita separação."



Gustavo Corção 
("A Maior das Três", in A Descoberta do Outro) 


 
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segunda-feira, 20 de março de 2017

O amor é veraz, é verídico, é essencialmente amigo da verdade.






"O amor, o verdadeiro amor advinha, penetra, descobre, simpatiza, faz suas as aflições do outro, dá ao outro suas próprias alegrias. 

É compreensivo. Mas não é compreensivo no sentido que se dá a esse vocábulo, quando quer significar uma tolerância que fecha os olhos. Não. 

O amor verdadeiro é compreensivo num sentido maior, que não fecha os olhos, mas que também não fecha o coração. Vê as falhas do outro, vê as misérias do outro, com uma generosa inquietação, com uma piedosa solicitude. Mas vê. Vê com amor. Mas vê. 

E é nessa visão que ele encontra as forças de paciência para os dias difíceis, e que se defende das amargas decepções. A miséria, o defeito, a falha, apresentados pelo amor, conservam sempre a dignidade do contexto em que foram apreendidos, sem sacrifício da veracidade. Porque o amor é veraz, é verídico, é essencialmente amigo da verdade. E como compete à razão guiar a alma nos caminhos da verdade, segue-se com lógica irresistível que a razão é o piloto do amor."



Gustavo Corção
(Amor, casamento, divórcio, A Ordem fev/52)


 
 
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

A casa






"Só pode ser na casa. Na casa de família. Na casa que se fecha, não para isolar-se da cidade, mas para abrigar da chuva e do vento a boa sementeira da amizade.

Em relação aos muros da casa de família há porém um problema semelhante ao das fronteiras das nações. Há casas patrióticas e casas nacionalistas. Poderíamos também mencionar as casas internacionalistas, onde entra e sai quem quer, onde todo o mundo faz o que lhe passa pela cabeça, e onde, em suma, impera tamanha tolerância que não seria impróprio chamá-las casas de tolerância.

As nacionalistas são aquelas que mais abrigam uma quadrilha do que uma família. Não porque sejam os seus membros ferozmente desunidos; antes porque são unidos ferozmente. Unidos contra as outras casas.

Nesse ambiente, por mais educados que sejam os hábitos, conspira-se contra a cidade. Nesse reduto, nesse covil, em lugar da sementeira cívica, o que se prepara é o favoritismo, o que se manipula é o pistolão. Nessa casa, o de que se cuida é de arranjar empregos e vantagens para todos, desde que um tio ou um cunhado logrem atingir uma altitude de poder que lhes permita a distribuição privada da coisa pública.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

BURRICE




"Os católicos, em todas as épocas foram sujeitos aos pecados de todos os matizes, mas nunca pecaram, como hoje, de um modo tão humilhantemente burro. 

Tudo isto porque abriram portas e janelas quando deviam fechá-las: isto é, quando era evidente que o melhor serviço que a Igreja podia prestar a um mundo enlouquecido era a defesa de sua virgindade. Apregoaram admiração e até agradecimentos, SINCEROS AGRADECIMENTOS, quando deviam clamar sem cessar que o homem é homem, e Deus é Deus. 

Todas as baixezas e tolices foram praticadas em nome de ecumenismos, diálogos e outros apelidos da prostituição

Levaram a fúria de AGRADAR AO MUNDO até a infinita soberba de DESPREZAR A DEUS.

Até quando Deus manteria o sombrio mistério de sua permissão?

E nós? Que devemos fazer para opor, àquela onda de AGRADO DO MUNDO, uma onda de AGRADO DE DEUS ,que Ele espera de nós para suspender a terrível permissão".




Gustavo Corção
("Cosmolatria"-- editorial de Abril/Maio de 74 da Revista Permanência)




 
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